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Substância promissora contra câncer já pode ser testada em animais – graças a nanopartículas

12 de março de 2026


A seriniquinona é uma molécula estudada existe através do menos 10 anos por pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Ela foi separada a começar da bactéria marinha Serinicoccus sp., e se exibiu promissora contra infecções fúngicas e contra o melanoma – o tipo mais agressivo de câncer de pele.

A busca por um novo remédio começa através da ciência básica: estudo de novas moléculas, testes de atividade biológica em células e a investigação de possíveis mecanismos de ação que, bem compreendidos, podem resultar em novos tratamentos para doenças. 

A seriniquinona já havia demonstrado potencial terapêutico nas etapas iniciais. O próximo passo da pesquisa seria o teste em animais, mas havia um problema: a substância não se dissolve bem em água, o que dificulta a sua gestão em seres vivos. Poderia ser o final de um tratamento promissor.

Depois de muitas tentativas frustradas (tanto de mudanças na estrutura química da substância quanto de diferentes tipos de formulação), a equipe conseguiu desenvolver uma fórmula com nanopartículas que permitiu testar a seriniquinona em animais. O artigo foi postado no periódico Journal of Drug Delivery Science and Technology.

O segredo são as nanopartículas de ácido poli(D,L-lático-co-glicólico) ou, simplesmente, PLGA. “Nós pensamos no PLGA como um sistema versátil que possibilita a administração de seriniquinona pela via mais adequada para cada caso, tanto para melanoma, quanto para infecções fúngicas”, diz Rodrigo dos Anjos Miguel, autor do artigo que desenvolveu a formulação de nanopartículas durante o mestrado. 

“Pensando que o melanoma é um tipo de câncer que os pacientes geralmente descobrem em estágio muito avançado, o ideal é um tratamento que atinja as lesões na pele, e também as sistêmicas [aquelas que acometem outros órgãos após a metástase]”, diz o autor.

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Com o desenvolvimento da formulação de nanopartículas de PLGA, os pesquisadores finalmente puderam testar a substância em diferentes experimentos: em cultura celular (uma camada única de células tumorais distribuídas em uma superfície plana, como se fosse um tapete); em esferóides (uma estrutura tridimensional de células em formato de bola, simulando o ambiente do tumor); e em organismos vivos (neste caso, em larvas de Galleria mellonella, espécie de mariposa que é amplamente usada para testar a toxicidade de substâncias em estudo).

Os três experimentos tiveram resultados positivos. Em cultura de células e em esferoides, a seriniquinona encapsulada se exibiu ainda mais eficaz contra células de melanoma do que a substância livre, sem as nanopartículas. A formulação também possibilitou a liberação controlada e prolongada do fármaco em ambiente semelhante ao tumor. Isso indica que, no corpo, é viável que a substância atinja seu alvo de forma ainda mais eficaz. Além de tudo, a formulação não deu indicadores de toxicidade quando administrada nas larvas de mariposa.

Esse é o primeiro registro do uso de seriniquinona em seres vivos. A encapsulação do fármaco em nanopartículas de PLGA foi a solução que permitiu que a substância continue sendo estudada e – caso passe por todas as etapas necessárias – possa vir a se tornar uma inovação farmacêutica nos tratamentos de câncer e infecções fúngicas.

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Eduarda A. Moreira é doutora em ciências (USP), especialista em jornalismo científico através do Labjor (Unicamp) e bolsista Mídia Ciência – FAPESP.

Fonte: Super Interessante

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