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Preço dos chocolates dispara e pressiona inflação para Páscoa de 2026

2 de março de 2026

O preço do chocolate acumulou alta de 24,77% nos últimos 12 meses, influenciado através do preço do cacau no mercado internacional, segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado através do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O aumento de quase 25% supera a inflação geral do momento e coloca o chocolate entre os itens alimentícios que mais pressionaram o bolso do consumidor. A alta ocorre meses antes da celebração da Páscoa, marcada para o dia 5 de abril, data em que os brasileiros se presenteiam com ovos de chocolate.

Leia também O preço do cacau, principal ingrediente na produção do chocolate, disparou depois de dificuldades no mercado internacional, principalmente entre os maiores produtores, Costa do Marfim e Gana.

Em 2025, o Brasil importou 42.143 toneladas de amêndoas de cacau e 42.844 toneladas de derivados de cacau e exportou 52.951 toneladas de derivados da fruta.

A escassez do produto no mercado internacional fez com que os preços dos chocolates disparassem no Brasil, mesmo que a quantidade de cacau usada através da maioria das indústrias seja baixa.

Para o professor de economia de alimentos da Strong Business School, Valter Palmieri Jr, depois de por volta de dois anos de forte alta no mercado internacional, pode se observar alguma acomodação nos preços do cacau. No entanto, o repasse ao consumidor tende a ocorrer com defasagem significativa.

“Grandes indústrias operam com contratos futuros e compras antecipadas de insumos, o que retarda tanto a transmissão das altas quanto das quedas. Portanto, eventuais recuos recentes dificilmente terão impacto relevante na Páscoa imediata”, explica. Entenda o que levou os preços do cacau às alturas Exportadores de Costa do Marfim e Gana acumulam estoques sem vender porque preços internos estão acima dos preços mundiais; Clima instável, doenças nas plantas e estratégias de preço rígidas são parte das razões da crise de oferta e demanda; Os produtores enfrentaram dificuldades financeiras e os compradores precisam grandes somas aos bancos, pressionando o setor; Mesmo com safras mais fortes previstas, o mercado continua volátil e sensível a mudanças de oferta e demanda; No Brasil, a crise global do cacau elevou os preços da matéria-prima e refletiu nos custos do chocolate, deixando produtos mais caros para o consumidor. Tradição entre os brasileiros, o ovo de Páscoa feito de chocolate ocupou as gôndolas dos supermercados já no final do mês de janeiro, em um movimento considerado inesperado para o consumidor.

Para o professor, a antecipação pode ser uma tentativa das empresas de diluir o impacto de preços mais altos e ampliar o ciclo de vendas com o objetivo de diminuir o risco de encalhe.

“Diante de preços mais elevados, alongar o período de exposição permite diluir o impacto psicológico do preço ao oferecer mais tempo para planejamento financeiro do consumidor. Além disso, amplia a janela de vendas, reduz o risco de encalhe e melhora a gestão de estoques, especialmente em um contexto de demanda mais sensível ao preço”, avalia ele. Conforme Valter, o consumidor enfrenta preços mais elevados, sobretudo nos produtos com maior teor de cacau e melhor qualidade. Mas empresas podem utilizar estratégias como redução de peso, ajustes de mix de produtos e promoções para suavizar parcialmente o impacto direto sobre o preço final.

O professor explicou, ainda, que diante de preços mais altos, o consumidor pode optar através da substituição por produtos mais baratos, redução de quantidade comprada ou migração para alternativas fora da categoria tradicional de ovos de chocolate.

Indústria de chocolates De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), os itens de Páscoa, particularmente os ovos, iniciam a ser fabricados no mês de agosto do ano anterior e cada dia mais a indústria fica atenta às preferências do consumidor, com produtos de todos os tipos e para todas as faixas de consumo.

Conforme a Abicab, os produtos ofertados variam em tamanho e gramatura, e sempre surgem novos lançamentos na Páscoa pretendendo atender às oscilações de gosto dos consumidores.

“No ano passado foram produzidas 806 mil toneladas de chocolates e 45 milhões de ovos de Páscoa. Com a estabilidade da economia e baixo índice de desemprego, acreditamos numa Páscoa igual ou melhor do que em 2025”, avalia a associação.

Com informações Metropoles

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