Na última quarta-feira, 19, foi lançado o GenRefBR, o primeiro banco genômico para espécies de animais vertebrados achadas no Brasil. A iniciativa, que pretende disponibilizar dados genéticos de quase 10 mil espécies para pesquisadores, é fruto de um consórcio entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Tecnológico Vale (ITV), da mineradora Vale.
A inauguração foi planejado para ocorrer durante a COP30, em Belém. Já dá para entrar a plataforma e explorar a biodiversidade brasileira através do site do GenRefBR, que conta com um mapa de distribuição de espécies por bioma, dados sobre o genoma de milhares de espécies e vários gráficos que mostram marcadores mitocondriais reconhecidos e relacionam os dados genéticos com risco de extinção.
As informações genômicos disponíveis no GenRefBR vêm de diferentes bases, como os repositórios BOLD, NCBI e GBIF, relacionados com dados sobre nível de conservação, habitat no Brasil e taxonomia das espécies. A maioria dos animais registrados são peixes e aves, mas o banco de dados também conta com informações sobre répteis, anfíbios e mamíferos, como a onça-pintada.
Na plataforma, é plausível pesquisar informações genéticas de 9869 espécies de animais vertebrados brasileiros, com 5192 mitogenomas (DNA mitocondrial de um sujeito inteiro). Os cientistas por trás da iniciativa também planejam escrever e publicar um artigo científico sobre o banco genômico.
Aplicações possíveis
A contar de 2026, o banco de dados deve começar a armazenar informações genômicas de plantas e animais invertebrados. Os vertebrados foram privilegiados nesta primeira etapa principalmente por motivo do interesse do ICMBio, que protege a biodiversidade brasileira e planeja a lista Salve (Sistema de Avaliação dos Riscos de Extinção da Biodiversidade), que guiou as escolhas do GenRefBR.
O consórcio entre ICMBio e ITV tomou a iniciativa de criar o banco de dados por motivo de outro projeto dele, a Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB), que pretende mapear os genomas de espécies da fauna e flora brasileiras que sejam exóticas invasoras, que tenham potencial de exploração bioeconômica ou, particularmente, que estejam em risco de extinção.
O plano é aumentar o conhecimento sobre espécies ameaçadas para desenvolver políticas públicas mais adequadas para sua conservação, como a criação de novas unidades de proteção ou de corredores ecológicos. As informações genômicos poderão ser úteis para calcular o risco de extinção de um tipo: quanto menos diversidade genética, mais vulnerabilidade a mudanças no habitat e doenças novas.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, a pesquisadora de genômica ambiental e coordenadora do GenRefBR Gisele Nunes se referiu ao projeto como um “facilitador de busca de informações genômicas das espécies brasileiras”. Neste repositório de biodiversidade nacional, é plausível descobrir quais espécies já tiveram o genoma mapeado e quais ainda precisam de estudos e atenção.
Outra ajuda que o GenRefBR pode prestar aos cientistas brasileiros é melhorar a reconhecimento do ambiente em que algumas espécies vivem a começar de amostras de solo ou água. Como os animais deixam rastros de DNA em seus habitats, dá para verificar a presença de marcadores genéticos nessas amostras simples de coletar, sem precisar encontrar um espécime.
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Fonte: Super Interessante