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Exclusivamente 12 mulheres estão entre os 100 deputados mais famosas da Câmara

15 de agosto de 2025


O poder na Câmara dos Deputados continua, em grande parte, concentrado nas mãos de homens. Um levantamento inédito mostra que, entre os 100 parlamentares mais famosas do biênio 2025-2026, só 12 são mulheres. O número é inferior à própria composição da bancada feminina da Casa, que ocupa 18% das cadeiras.

As informações fazem parte do Índice de Influência Parlamentar (IFI), desenvolvido através do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT-ReDem) em colaboração com o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB). 

O índice combina informações sobre cargos estratégicos, funções de comando e relatorias de projetos relevantes para calcular uma pontuação de 0 a 10, que reflete o peso institucional de cada deputado federal.

Entre as 12 parlamentares que fazem parte o Top 100 estão:

  • Caroline de Toni (PL-SC), 5ª colocada no ranking geral;
  • Laura Carneiro (PSD-RJ), 6ª;
  • Bia Kicis (PL-DF), 12ª;
  • Talíria Petrone (PSOL-RJ), 35ª;
  • Chris Tonietto (PL-RJ), 38ª;
  • Sâmia Bomfim (PSOL-SP), 48ª;
  • Adriana Ventura (Novo-SP), 57ª;
  • Yandra Moura (União-SE), 63ª;
  • Jandira Feghali (PCdoB-RJ), 66ª;
  • Benedita da Silva (PT-RJ), 70ª;
  • Flávia Morais (PDT-GO), 75ª;
  • e Célia Xakriabá (PSOL-MG), 80ª.

A pontuação dessas deputadas varia de 7,2 a 1,7, refletindo varias formas de atuação e acesso a cargos de influência.

Os três primeiros colocados – Hugo Motta (Republicanos-PB), Arthur Lira (PP-AL) e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) – são homens de partidos do Centrão, bloco que concentra boa parte das posições de maior poder na Casa. Entre os 20 primeiros nomes, somente Caroline de Toni, Laura Carneiro e Bia Kicis representam as mulheres.

Apesar de pouco numerosa, a presença feminina é mais plural em termos partidários e ideológicos: PL e PSOL têm três representantes cada, enquanto Novo, PCdoB, PDT, PSD, PT e União Brasil aparecem com uma deputada cada. 

Para os pesquisadores, isso indica que a conquista de espaço institucional pelas mulheres ocorre de forma separada, mas não restrita a um único campo político.

A mais jovem da lista é Yandra Moura, com 31 anos; a mais experiente é Benedita da Silva, 83, que já exerceu cargos no Executivo e no Legislativo. 

O Rio de Janeiro lidera a representação estadual, com quatro nomes, seguido por Santa Catarina, Goiás, São Paulo, Sergipe, Minas Gerais, Bahia e Maranhão. 

Em relação à diversidade racial, somente Talíria Petrone e Benedita da Silva são negras, enquanto Célia Xakriabá é a única indígena.

    Como funciona o IFI?

    O IFI se diferencia de outros métodos de avaliação parlamentar por não se basear somente na quantidade de projetos mostrados ou na presença em plenário.

    A metodologia foca no que os autores julgam os verdadeiros mecanismos de poder: cargos que concentram poder de decisão são ocupados por uma única pessoa por vez e oferecem estabilidade durante do mandato. 

    Dentre eles estão presidência da Mesa Diretora, chefia do governo, presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJC), da Comissão Mista de Orçamento (CMO) e relatorias de grande relevância, como a da Lei Orçamentária Anual ou de propostas de emenda à Constituição (PECs).

    Experiências anteriores também entram no cálculo, mas perdem peso se forem muito antigas. Assim, um deputado que ocupa hoje um cargo estratégico obtém a pontuação máxima para essa função; se o ocupou no biênio passado, a pontuação é reduzida através da metade, e assim sucessivamente.

    Relatorias recebem peso proporcional à importância política da matéria: maior para PECs, menor para projetos de lei comuns.

    Para Maiane Bittencourt, uma das autoras do estudo, o índice mostra um aspecto que costuma passar sem que ninguém percebesse na cobertura política.

    “Ao mensurar, com base empírica, a ocupação de cargos estratégicos, ele traduz uma dimensão muitas vezes invisível, mas determinante, da política legislativa: quem tem acesso aos mecanismos decisórios”, afirmou em comunicado.

    O relatório defende que, para diminuir a desigualdade de gênero, não basta ampliar o número de mulheres na Câmara. É preciso preservar que elas também ocupem funções decisivas na estrutura interna, capazes de influenciar a pauta e o ritmo das votações. 

    “Isto é especialmente útil para gestores públicos e organizações da sociedade civil, que podem identificar com mais precisão quais parlamentares possuem maior capacidade de pautar, travar ou acelerar agendas legislativas”, concluiu a pesquisadora.

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    Fonte: Super Interessante

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